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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Poesia

Ai, quem me dera terminasse a espera


Retornasse o canto simples e sem fim


E ouvindo o canto se chorasse tanto


Que do mundo o pranto se estancasse enfim


Ai, quem me dera ver morrer a fera


Ver nascer o anjo, ver brotar a flor.


Ai, quem me dera uma manhã feliz.


Ai, quem me dera uma estação de amor


Ah, se as pessoas se tornassem boas


E cantassem loas e tivessem paz


E pelas ruas se abraçassem nuas


E duas a duas fossem ser casais


Ai, quem me dera ao som de madrigais


Ver todo mundo para sempre afim


E a liberdade nunca ser demais


E não haver mais solidão ruim


Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais


Dizer que a vida vai ser sempre assim


E, finda a espera, ouvir na primavera


Alguém chamar por mim.